quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Meus motivos para não votar em Dilma Rousseff para presidente:


Não sou nenhum Aecista convicto e nem nenhum anti-PTista. Não acredito que o Aecio represente nenhuma mudança política significativa, na verdade as mesmas estruturas políticas e os mesmos figurões continuarão vindo a tona em esquemas de corrupção, infelizmente. O PT, por outro lado, teve papel significativo na estruturação de um Brasil com mais distribuição de renda, nos governos Lula. Mas não é possível continuar distribuindo renda sem gerar efetivamente renda, e nisso o governo Dilma fracassou feio. A partir disso, enumero meus 3 motivos para  não votar na continuação deste governo, longe de qualquer corrente anti-PT ou convicção utópica de mudanças estruturalistas focadas em um candidato conservador:
1)       MP 579: A tal medida provisória, depois convertida em lei, que pretendia reduzir a conta de luz do consumidor e foi um dos pilares da candidatura de Dilma, simplesmente sucateou o setor elétrico brasileiro. O sistema de cotas, que impossibilita as geradoras de comercializar energia com o mercado livre, e as obrigada a destinar ao mercado cativo (distribuidoras de energia) simplesmente acabou com o setor elétrico. O governo impunha  às geradoras com contratos a vencer a renovação com condições inviáveis a iniciativa privada. Com isso, apenas as empresas o governo (que não são independentes e sofrem intervenção deste governo) aceitaram essas condições pífias de renovação. As geradoras privadas pularam fora do barco, o que deixou várias distribuidoras descontratadas.Para o próximo ano, o governo terá um sério de desafio que exigirá grandes aportes para suprir as distribuidoras de energia que estão descontratadas, além das indústrias, que estão tendo que comprar energia com preços bem mais salgados e inviabilizam a continuação de muitas delas. Os problemas do setor elétrico não para por aí, e não é apenas fruto de 2 anos com chuvas abaixo da média. Passa por hidrelétricas com menor capacidade de reservatórios ( por questão ambiental/regulatória e por menor capacidade estrutural) e a construção de termelétricas que não poderiam ter sido construídas, afinal o preço da operação destas ,na base, é inviável.


2)       Abandono ao tripé macroeconômico: O tão famoso tripé que consiste no superávit primário, metas de inflação e câmbio flutuante. O Brasil simplesmente pratica metas de inflação irreais, onde se busca alcançar o teto da meta. O mercado não acredita mais nas metas vigentes, não importa o quando o Mantega (só agora vai tirar?) diga que alcançar o centro da meta é prioridade do governo. O superávit primário já registra níveis que são extremamente preocupantes (segundo o FMI) e não condizem com a situação de um país emergente e dependente do capital externo. O que me leva ao terceiro motivo...

3)       Fuga de capitais: O mercado não acredita mais na gestão do PT, o Brasil não vai a lugar nenhum com este governo. Ainda não podemos abrir mão do capital externo de curto prazo, e as políticas econômicas adotadas pelo governo não condizem com esta situação. Hoje, uma grande parte dos investimentos é dependente do BNDES, mas não adianta só se ater ao papel de fomento deste banco, precisamos de mais investimento externo para continuar a crescer.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Doença esquisita

Heitor tinha um temperamento esquisito, nas palavras de sua própria mãe, Dona Sônia, que nunca o via sair de casa. Seus amigos viviam reclamando de todas as desculpas que ele dava para não sair. Quando resolvia sair de casa, dedicar algum tempo da sua vida ao convívio social e abandonar sua prateleira cheia de livros e filmes, logo cansava. Após uma hora, Heitor já estava bolando desculpas para sair do recinto. Podia ser dor de cabeça, provas para estudar, cuidar do irmão menor, do cachorro, da avó, etc. Mas nunca era convincente na desculpa que se propunha a dar, na verdade, todos sabiam que era tudo uma grande farsa. Até que Heitor teve uma grande ideia.
A ideia era simples, porém inusitada. Fingiria que estava doente, que não poderia ficar muito porque se sentia cansado. Mas que doença, afinal, poderia livrá-lo de tamanho inconveniente? Câncer? Seria muito dramático, seus amigos amargariam em preocupação. Uma hérnia na lombar? Poderia ser difícil fingir, já que de vez em quando gostava de dar uma corridinha na praia. Até que teve uma ideia que o consumiu: fingiria ter bronquite. Seus pulmões simplesmente não resistiam ficar muito tempo em pé, por exemplo.
Resolveu colocar a teoria em prática. De princípio, todos estranharam. Seus amigos nunca o ouviram reclamar daquilo, mas ele insistiu que sempre teve tal doença, mas agora, com a idade, estava começando a sentir seus efeitos. Começou a simular os efeitos da doença quando estava demasiadamente entediado. Com o tempo, começou a fingir tão bem que até a sua mãe, Dona Sônia, que o conhecia muito bem, começou a cair na peça. Todos começaram a ficar preocupados com ele. Seus amigos começaram a tratá-lo bem melhor, piedosos de uma catástrofe pulmonar. Sua mãe chorava aos prantos, mas mesmo assim, Heitor insistia na mentira. Chegara a um ponto que não podia desfazê-la, afinal, caso fizesse, perderia a amizade de todos seus amigos, sua mãe ficaria super decepcionada. Resolveu então ir a fundo com a mentira. Inventaria que tinha apenas algumas semanas de vida, todos cairiam em desgraça. Desse modo, quando contasse que era tudo mentira, todos ficariam felizes por não perdê-lo. Tudo daria certo, afinal.
Seus amigos queriam encontrá-lo todos os dias. Sua mãe, chorava dia e noite, queria ficar perto do filho sempre. Heitor começou a ver o tamanho que aquela mentira tomara. Todos estavam aos prantos por causa daquela dramaticidade atenuada e agora seria muito tarde para voltar atrás. Conseguiu ser eternado em um hospital: deu uma parte do dinheiro que tinha para subornar um médico para simular aquela situação devastadora. O médico, sem entender o por quê de tudo aquilo, entendeu muito bem quando o fez coçar o seu bolso. Internou Heitor no hospital no dia seguinte. Agora o plano era fingir uma cura milagrosa e voltar para casa após algumas semanas, completamente curado.
Sua mãe o visitava todos os dias. Seus familiares choravam juntos no canto de sua cama. Seus amigos não conseguiam entender como aquela situação chegara aquele ponto. Todos davam Heitor como morto. Apenas esperavam pelo momento oportuno para dizer adeus. Como que soubessem que o momento chegara, todos disseram adeus a Heitor. Ele simplesmente não entendia, disse a todos, finalmente, que tudo não passara de uma grande farsa. Inventara tudo, afinal. Mas ninguém ousou acreditar. Achavam que ele estava delirando.
No dia seguinte Heitor morreu. A autópsia mostrou o que todos esperavam: bronquite crônica.