Não sou nenhum Aecista convicto e nem nenhum anti-PTista. Não acredito que o Aecio represente nenhuma mudança política significativa, na verdade as mesmas estruturas políticas e os mesmos figurões continuarão vindo a tona em esquemas de corrupção, infelizmente. O PT, por outro lado, teve papel significativo na estruturação de um Brasil com mais distribuição de renda, nos governos Lula. Mas não é possível continuar distribuindo renda sem gerar efetivamente renda, e nisso o governo Dilma fracassou feio. A partir disso, enumero meus 3 motivos para não votar na continuação deste governo, longe de qualquer corrente anti-PT ou convicção utópica de mudanças estruturalistas focadas em um candidato conservador:
1) MP 579: A tal medida provisória, depois convertida em lei, que pretendia reduzir a conta de luz do consumidor e foi um dos pilares da candidatura de Dilma, simplesmente sucateou o setor elétrico brasileiro. O sistema de cotas, que impossibilita as geradoras de comercializar energia com o mercado livre, e as obrigada a destinar ao mercado cativo (distribuidoras de energia) simplesmente acabou com o setor elétrico. O governo impunha às geradoras com contratos a vencer a renovação com condições inviáveis a iniciativa privada. Com isso, apenas as empresas o governo (que não são independentes e sofrem intervenção deste governo) aceitaram essas condições pífias de renovação. As geradoras privadas pularam fora do barco, o que deixou várias distribuidoras descontratadas.Para o próximo ano, o governo terá um sério de desafio que exigirá grandes aportes para suprir as distribuidoras de energia que estão descontratadas, além das indústrias, que estão tendo que comprar energia com preços bem mais salgados e inviabilizam a continuação de muitas delas. Os problemas do setor elétrico não para por aí, e não é apenas fruto de 2 anos com chuvas abaixo da média. Passa por hidrelétricas com menor capacidade de reservatórios ( por questão ambiental/regulatória e por menor capacidade estrutural) e a construção de termelétricas que não poderiam ter sido construídas, afinal o preço da operação destas ,na base, é inviável.
2) Abandono ao tripé macroeconômico: O tão famoso tripé que consiste no superávit primário, metas de inflação e câmbio flutuante. O Brasil simplesmente pratica metas de inflação irreais, onde se busca alcançar o teto da meta. O mercado não acredita mais nas metas vigentes, não importa o quando o Mantega (só agora vai tirar?) diga que alcançar o centro da meta é prioridade do governo. O superávit primário já registra níveis que são extremamente preocupantes (segundo o FMI) e não condizem com a situação de um país emergente e dependente do capital externo. O que me leva ao terceiro motivo...
3) Fuga de capitais: O mercado não acredita mais na gestão do PT, o Brasil não vai a lugar nenhum com este governo. Ainda não podemos abrir mão do capital externo de curto prazo, e as políticas econômicas adotadas pelo governo não condizem com esta situação. Hoje, uma grande parte dos investimentos é dependente do BNDES, mas não adianta só se ater ao papel de fomento deste banco, precisamos de mais investimento externo para continuar a crescer.
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