O psicanalista francês
André Green disse uma vez que “a infelicidade da pergunta é a resposta”.
A pergunta pode ser
respondida de várias formas. Com hipóteses, teorias, metáforas. A resposta pode
ser conclusiva, insatisfatória, parcial. A pergunta move a ciência. A perseguição por uma resposta satisfatória move o pensamento e o desenvolvimento
científico. Mas talvez esqueçamos que quem deu origem a resposta foi à
pergunta. Qual o grande feito de uma resposta se não houvesse a pergunta a
priori? A necessidade incessante por encontrar respostas para tudo pode levar a
uma verdade absoluta, inquestionável. E acreditar fielmente em uma coisa ou
teoria é simplesmente abrir mão do pensamento. Acreditamos por muito tempo que
a terra era plana, na teoria Lamarck, etc. Ainda bem que soubemos questionar e
pensar em novas possibilidades. A ciência, de certo modo, é bem sensata nesse
sentido. Sabemos que sempre existirão fenômenos que não podem ser completamente
explicados por teorias e outros que serão remodelados por novas teorias
científicas. Por isso não há verdade absoluta na ciência.
Paralelamente, fico
pensando se o mundo que vejo é o real. Se a minha verdade absoluta, que criei
na minha mente, com cores e formas definidas, é realmente a mais aceitável e as
outras devem ser classificadas como anomalias. Quando aprendemos na escola que
o amarelo é o amarelo e o azul é o azul, por que as pessoas que veem as cores
de outro modo são classificadas como daltônicas? Elas têm uma anomalia, por não
fazerem parte da maioria. Mas será que a forma destas pessoas de ver o mundo
não está mais próxima da perfeição do que a nossa?
Por que os loucos são
loucos? Também não compactuam com o modo de pensar de uma grande massa da
sociedade. Por isso são taxados como loucos, anormais. Mas talvez, a visão de
mundo deles esteja mais próxima de uma verdade do que a nossa. Talvez os
verdadeiros loucos não estejam em manicômios, mas espalhados pelas ruas. Se
preocupando com problemas inventados pela própria sociedade, com obrigações e
preocupações concretas, mas que sob a perspectiva do anormal se tornam abstratas.
Não sabemos a resposta,
nunca saberemos, provavelmente. Mas se nos incomodamos em pensar, mostramos que
somos altruístas com a pergunta. Ela nunca terá uma resposta, mas mesmo assim
nos preocupamos com ela. Não só nos preocupamos, quanto questionamos as
verdades que aí existem. A arrogância de acreditar em uma verdade absoluta leva
a abdicação do pensamento. Quando abdicamos da resposta, voltamos a pensar.
A resposta faz o mundo
girar, mas a pergunta faz a humanidade.
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