domingo, 7 de dezembro de 2014

A pergunta e a resposta

O psicanalista francês André Green disse uma vez que “a infelicidade da pergunta é a resposta”.

A pergunta pode ser respondida de várias formas. Com hipóteses, teorias, metáforas. A resposta pode ser conclusiva, insatisfatória, parcial. A pergunta move a ciência. A perseguição por uma resposta satisfatória move o pensamento e o desenvolvimento científico. Mas talvez esqueçamos que quem deu origem a resposta foi à pergunta. Qual o grande feito de uma resposta se não houvesse a pergunta a priori? A necessidade incessante por encontrar respostas para tudo pode levar a uma verdade absoluta, inquestionável. E acreditar fielmente em uma coisa ou teoria é simplesmente abrir mão do pensamento. Acreditamos por muito tempo que a terra era plana, na teoria Lamarck, etc. Ainda bem que soubemos questionar e pensar em novas possibilidades. A ciência, de certo modo, é bem sensata nesse sentido. Sabemos que sempre existirão fenômenos que não podem ser completamente explicados por teorias e outros que serão remodelados por novas teorias científicas. Por isso não há verdade absoluta na ciência.

Paralelamente, fico pensando se o mundo que vejo é o real. Se a minha verdade absoluta, que criei na minha mente, com cores e formas definidas, é realmente a mais aceitável e as outras devem ser classificadas como anomalias. Quando aprendemos na escola que o amarelo é o amarelo e o azul é o azul, por que as pessoas que veem as cores de outro modo são classificadas como daltônicas? Elas têm uma anomalia, por não fazerem parte da maioria. Mas será que a forma destas pessoas de ver o mundo não está mais próxima da perfeição do que a nossa?

Por que os loucos são loucos? Também não compactuam com o modo de pensar de uma grande massa da sociedade. Por isso são taxados como loucos, anormais. Mas talvez, a visão de mundo deles esteja mais próxima de uma verdade do que a nossa. Talvez os verdadeiros loucos não estejam em manicômios, mas espalhados pelas ruas. Se preocupando com problemas inventados pela própria sociedade, com obrigações e preocupações concretas, mas que sob a perspectiva do anormal se tornam abstratas.

Não sabemos a resposta, nunca saberemos, provavelmente. Mas se nos incomodamos em pensar, mostramos que somos altruístas com a pergunta. Ela nunca terá uma resposta, mas mesmo assim nos preocupamos com ela. Não só nos preocupamos, quanto questionamos as verdades que aí existem. A arrogância de acreditar em uma verdade absoluta leva a abdicação do pensamento. Quando abdicamos da resposta, voltamos a pensar.


A resposta faz o mundo girar, mas a pergunta faz a humanidade.

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