terça-feira, 9 de setembro de 2014

O pedinte

Eduardo era um garoto que gostava de pedir. Sempre acreditara em Deus, em uma figura divina que fosse maior que ele e que todos. Pedia sempre uma coisa nova na esperança de que o todo poderoso concedesse. Começou logo quando criança, quando resolveu pedir um carrinho de controle remoto. Pediu várias vezes, mas nunca ganhou um. Já na adolescência pediu descontroladamente por um amor como o de cinema. Queria um que fosse igualzinho ao de um filme de romance, em que pudesse se desligar do mundo exterior e só pensar no seu amor enlouquecido. Mas nunca encontrou. Depois disso, resolveu apelar. Pedia carro, casa, trabalho, uma noite de sexo, um celular novo, que esquecessem das suas dívidas no cartão de crédito...
Certa vez, Eduardo se desentendeu com Deus. Resolveu pedir que ele o tirasse a vida, já que era a culpa de Deus de nunca ter feito ou realizado nada em toda a sua vida, afinal ele nunca dera condições. Como quem sabia que nunca que Deus iria atender aquele pedido, resolveu fazê-lo da boa pra fora. Então subitamente viu um clarão e uma voz profunda. "Eduardo, sabe quando dizem que Deus é branco? É uma mentira! Mas o meu humor é negro." Uma lágrima caiu dos olhos de Eduardo. A sua última.

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