O resultado da disputa presidencial no Brasil diz
respeito não somente aos cidadãos brasileiros, mas a toda a América Latina. A
definição da liderança de um país que tem a quinta economia do mundo gera interesse
no mundo inteiro, mas principalmente em nossos vizinhos.
Nos últimos 12 anos pudemos observar uma aproximação
do governo brasileiro com os demais representantes latino-americanos. Esta
integração é muito importante para a região, uma vez que seus países apresentam
problemas históricos e sociais semelhantes. Um fortalecimento conjunto de todas
as nações locais representa um benefício para todos, que podem somar forças e
trocar experiências visando a superação de suas dificuldades.
O Brasil, como grande potência regional, tem um
papel chave na manutenção e fortalecimento do Mercosul (no caso, organização formada unicamente por países da América do Sul). As direções tomadas
pelo próximo presidente brasileiro podem alavancar ou dizimar este importante bloco
econômico.
Dentre os três candidatos com maiores chances no
pleito majoritário, dois aparecem com perspectivas bastante claras. Dilma Rousseff,
candidata da situação, deve buscar um estreitamento (ou pelo menos uma manutenção)
das relações com os países vizinhos. Aécio Neves, do PSDB, significa uma
intensificação dos acordos com EUA e União Europeia e um distanciamento dos
países latino-americanos.
A terceira via é Marina Silva, candidata pelo PSB.
Pela formação da equipe econômica que a cerca, a tendência é que ela penda mais
para o lado da política econômica defendida pelos partidários de Aécio, com o
aumento de acordos bilaterais com as grandes potencias e um afrouxamento nos
acordos com o Mercosul.
Este é um ponto muito importante para a política
internacional brasileira. O país precisa definir se quer se visto pelos seus
vizinhos como mais um representante latino-americano, preocupado com o
desenvolvimento econômico e social da região, ou como um representante das
grandes potencias no coração da América.
Não que o Brasil deva
negar todo e qualquer tipo de acordo com os Estados Unidos e as nações
europeias, mas parece importante para o desenvolvimento do país que suas
relações econômicas sejam as mais diversas possíveis, incluindo em sua lista de
parceiros representantes da África, da Ásia e, principalmente, da América
Latina.
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